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sábado, 7 de janeiro de 2012

Educação: Novos Paradigmas [2]




Meu comentário ao texto de João Mattar: Formação de Professores

[ Originalmente um comentário informal(*) à postagem de João Mattar(**), em seu blog sobre cursos de formação de professores.(1)
Como, noutro dia, postei aqui um comentário que fiz - Educação: Novos Paradigmas 1 - de seu vídeo, que fala do uso de games na educação... achei que seria interessante postar este comentário também... ]

Imaculada Conceição




Hoje estava andando pela praia e me veio à cabeça este grande insight, rs: “formação de professores” é a expressão politicamente correta, que inclusive uso, mas dá uma sensação de que os professores são deformados, não? De que temos uma forma pronta para formatar todos. Caberia perguntar aos professores se eles querem ser “formados” e, principalmente, para que forma.

A expressão politicamente correta em inglês, hoje, é Professional Development, que está mais próxima do campo semântico de aperfeiçoamento do que de formação.

Mas tem outro grande insight, mais antigo: é incrível como hoje todo mundo se considera preparado e capaz de formar professores no uso de tecnologias me educação (às vezes só porque sabe mexer em um software ou é apaixonado por tecnologia), todo mundo tem um coelho na cartola, um curso prontinho na cabeça, uma ideia de como os professores devem ser, em que eles devem se transformar, um discurso pronto sobre a “resistência” dos professores, um clichê sobre a zona de conforto, o que está errado na educação, uma revolução!

Todo mundo é capaz de rabiscar uma rota de formação de professores em minutos, seguro de que aquele é o melhor caminho, sem mesmo ter dado aula ou tendo tido um mínimo contato com alunos.

Mas valeria a pena ouvir só um pouquinho os professores, não? Saber o que eles querem, do que eles precisam. Este é um dos princípios do design educacional: analisar os aprendizes e seu contexto. Mas não, queremos mudar, enxergamos perfeitamente (de fora) o que está errado e como as coisas deveriam ser, ignorando o que os próprios professores pedem – afinal, se as coisas estão erradas, eles por consequência pedem errado, querem naturalmente continuar com o status quo, qualquer demanda deles é um sinal de resistência, e é preciso mudar, mudar para a nossa visão.

Cabe saber se queremos formar o outro, de acordo com as suas necessidades, ou reformar a nós mesmos, projetando no outro o que queremos mudar em nós. Mas o princípio básico da alteridade diz: eu sou eu, o outro é o outro.

Nunca estamos prontos, somos metamorfoses ambulantes, mas não precisamos necessariamente nos transformar no sonho dos outros. Nossa visão tem também que ser ouvida. Demonizar os professores não é a solução para a educação, mas um movimento na direção da tirania da formação.

Meu comentário ao texto de João Mattar:
Formação de Professores(*)


João, sob esta perspectiva que você citou, pior do que "formação" é "capacitação" (os cursos atuais para os educadores do Rio tem esse nome): seríamos então... "incapazes"? Na verdade, João, eu me importo bem pouco com a nomenclatura que dão aos cursos de "aperfeiçoamento profissional" (como você bem citou, uma nomenclatura boa, mas creio que não usada para evitar confusão com as "Pós" assim denominadas) que nós, professores, recebemos! Participo dos cursos de formação, das capacitações... e o que mais aparecer! Neles aprendemos bem mais do que o "conteúdo" oferecido (que às vezes não acrescentam quase nada ou são "nulos" para nossa real prática em "sala de aula")! Temos contato com outros colegas professores: e só isso já vale! É inacreditável como, não importa qual a estrutura da escola em que trabalhamos, se temos mais ou menos recursos disponíveis, mais ou menos liberdade/autonomia dentro dos espaços escolares, se a escola fica na periferia ou nas áreas centrais e "nobres" da cidade... Parece que os nossos problemas semelham... Alguns estão "tão desanimados" que confessam já terem "jogado a toalha", "desistido" da educação... mas, passa um tempo e... os reencontramos animados e confiantes, apresentando seus novos projetos! "Nós somos professores (brasileiros) e não desistimos nunca"! rs

Aliás, em falar em sala de aula, em prática pedagógica (em especial, no ensino fundamental e médio - e, mais especificamente, no ensino público), cito a frase que mais me chamou atenção aqui no seu texto (e a que mais gostei): "Todo mundo é capaz de rabiscar uma rota de formação de professores em minutos, seguro de que aquele é o melhor caminho, sem mesmo ter dado aula ou tendo tido um mínimo contato com alunos"! O mais assustador é quando nós, professores, que sabemos o que é educar em uma escola (todas as dificuldades reais!) construímos discursos que parecem ter sido feitos para "agradar" os caras que querem montar todo um esquema vindo "de fora"... A escola ainda é construída de modo a não nos permitir plenamente trabalharmos com projetos que possibilitem uma maior autonomia e conexão colaborativa entre nós, professores, e nossos alunos. Na maioria das vezes, o que conseguimos realizar dentro dos "novos paradigmas" educacionais acaba sendo nas atividades extra-classes (ou em projetos que - infelizmente - não abrangem todas as nossas turmas, durante todo o ano letivo).
O que é a "escola de fato"? Espaços/tempos (de)limitados = grade curricular/carga horária/(infra)estrutura construída de modo a não favorecer plenamente as "inovações" educacionais...

É preciso só um cuidado: há os que pensam que bastaria mudar toda a estrutura "arquitetônica" e inserir aulas com uso de TICs em salas ambientes bem equipadas para já estarmos trabalhando dentro de um "novo paradigma educacional"! Qualquer professor do ensino fundamental e médio que já trabalhou ou que conhece quem trabalha numa escola "com todos esses recursos" (ou que tem filhos, parentes ou filhos de amigos que lá estudam) sabe que não é bem assim... Eu estive numa reunião numa dessas escolas e fiquei tão encantada com seu "arquitetônico estilo futurista", que cheguei para um professor, que leciona nela, e disse: "Cara, você trabalha no paraíso!" - e ele me respondeu com ar desalentado: "Nem tudo é o que parece..."! Senti-me no filme Matrix!!!!

A "tecnologia pode trazer transformações importantes", sim, mas ela não é tudo... Eu conheci recentemente uma professora que trabalha com métodos tradicionais de alfabetização, e cujas as vagas para sua turma são concorridíssimas dentro da escola! As crianças que não conseguiram aprender a ler e a escrever em anos anteriores em outras turmas (e que estão com defasagem de idade/série) são pela professora alfabetizadas! Ela incentiva a leitura de livros e escritos "tradicionais" (e tem um projeto excelente, chamado "Rua da Leitura")! Em vez de games, jogos virtuais, ela trabalha com o xadrez! Eu vi alguns de seus alunos permanecerem espontaneamente na sala de aula jogando xadrez, ainda que liberados para se divertirem num gigantesco "parque de brinquedos" montado na escola na Semana do Dia das Crianças! Sim, ela poderia inserir as TICs em seu projeto pedagógico... Mas o que é "essencial"? O essencial é o modo como ela trabalha, como ela consegue construir com seus alunos o conhecimento. O uso das novas tecnologias seria nesse caso apenas uma "ferramenta", um "recurso a mais", não a "essencialidade" de sua prática pedagógica!(2)

Investir em uma reflexão a respeito da expansão tecnológica na sociedade, sua função sócio-político-cultural, sobre os modos de apropriação desta tecnologia, interessa a todos nós, professores ou não, trabalhando ou não com tais recursos, interessa-nos enquanto cidadãos. Eu não percebo tanta resistência assim entre os colegas professores em trabalhar com o uso das "novas" tecnologias... e menos ainda em possibilitar aos alunos uma maior autonomia na construção de seu conhecimento (trabalhando com projetos). Optar por uma determinada linha de trabalho agora se chama ser "retrógrado"? Eu chamaria de autonomia e liberdade. O que eu vejo é muito preconceito vindo "de fora", de quem não está envolvido no processo de trabalho das escolas de ensino fundamental e médio...

Para finalizar, outra citação: "Demonizar os professores não é a solução para a educação, mas um movimento na direção da tirania da formação"! Céus, João, espero que bem poucos "daqueles" que querem nos "formar", nos "formatar", nos "capacitar", e que não são professores regentes, (ainda) nos demonizem de fato! rs Tirania da formação? Que venham os tiranos! ;)

Imaculada Conceição

NOTAS:

1 - "Formação de Professores", por João Mattar: Publicado originalmente no Blog De Mattar, em 29 de dezembro de 2011: http://joaomattar.com/blog/2011/12/29/formacao-de-professores/

2 - "Desafios na Rua da Leitura - Profª Marisa Helena CIEP Rubens Gomes 6ªCRE" (19/11/2011), por Imaculada Conceição Manhães Marins - Rioeduca Net - A Revolução Acontece: http://www.rioeduca.net/blogViews.php?id=1518

3 - Fotos: Eu com os meus alunos, da E.M. Mario Piragibe/6ªCRE-RJ, em nossas aulas de "Animação experimental".


domingo, 27 de novembro de 2011

Educação: Novos Paradigmas [1]


Meus alunos da E.M. Mario Piragibe/6ªCRE-RJ
(criando animações)


Aproveitando que comentei na página do Facebook do AnimaEco (um programa da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro - AnimaEco ECO-UFRJ -) um vídeo do professor João Mattar sobre "o uso de games apoiando a educação", vou partilhar meu comentário aqui... [em especial porque aqui eu posso "editar" quantas vezes eu quiser... e já num comentário em página alheia... nem sempre... ]


João Mattar e o uso dos Games apoiando a Educação



João Mattar tem razão quando diz que a diferença dos games de diversão para os games educacionais está no formato e nas intenções daqueles que os programam, os projetam (o educador X o designer de games). Enquanto os primeiros tem o enfoque na interação, no engajamento do(s) usuário(s) nos desafios do jogo em questão, os educacionais pensam primeiro no conteúdo a ser transmitido, aprendido, como "objetivo final" do jogo - o que os tornam bem pouco atraentes e sedutores para os usuários. A meu ver, os jogos educacionais "ainda" estão bem longe de serem (espontaneamente) atrativos às crianças e aos jovens. Se (e quando) conseguirão atrair esse público: é o desafio!

Eu destaquei o "ainda" entre aspas porque vou dar um exemplo de mais de 10 anos (e que não tenho certeza se mudou alguma coisa...) - e do ponto de vista de uma "não-nativa digital" - e só tardiamente "migrante digital" (demorei a entrar no mundo das conexões). Quando eu estudava francês, eu ia com frequência à sala multimídia e usava todos os recursos disponíveis, inclusive os games. Eu já estava na faixa dos 30 e era uma das alunas mais velhas de minha turma. Curiosamente, a sala multimídia não atraia tanto os mais jovens, que, no caso do aprendizado de uma língua estrangeira, preferiam interações na internet e os filmes (um recurso que eu também utilizava). Eu só fazia uso da sala porque precisava "lutar contra o tempo" e dominar a língua o mais rápido possível! Ou seja, ninguém (e nem mesmo eu - que, como disse, tinha o objetivo "adulto" de aprender o mais rápido possível) usava "espontaneamente" esses recursos (que incluía alguns games até interessantes, como um sobre a saga de Joana D'Arc - todas as questões políticas, sociais e religiosas envolvidas...).

Lá se foram bem mais de 10 anos, mas tenho minhas dúvidas se "jogos educacionais" se tornaram atraentes para os mais jovens... Talvez (apenas) como recurso "menos doloroso" e um "pouco mais divertido" para favorecer o aprendizado? Não vejo crianças e jovens (seja em minha experiência como professora, seja em minha experiência familiar) entrarem - sem a cobrança dos professores e/ou pais - "espontaneamente" em jogos educacionais do mesmo modo que buscam os games não-educacionais... Sem contar que as mídias em educação, as novas tecnologias, estão na maioria das vezes sendo usadas apenas como um recurso de apoio às aulas tradicionais.

O desafio de mudança está na estrutura da escola e do sistema educacional bem mais do que - como se imagina - na nova postura de abertura - e capacitação tecnológico-educacional - dos professores (já que muitos deles são jovens, fazem parte de uma geração de usuários de novas tecnologias: dos games, das redes sociais etc.)! Por que esses jovens professores se mantêm tão "tradicionais" em sala de aula (mesmo quando buscam fazer uso das novas tecnologias)? É uma questão para se pensar...


Imaculada Conceição Manhães Marins

NOTA:

1 - Ver também: "Educação: Novos Paradigmas [2]": http://imaculadacon.blogspot.com/2012/01/educacao-novos-paradigmas-2.html



segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

"NA CULTURA DIGITAL, TUDO SE RE-CRIA?"



Vik Muniz




Debate: YouPix - Na cultura digital, tudo se re-cria?(*)






Baile Parangolé - João Brasil(**)





(*) Link do vídeo "Debate: YouPix: Na cultura digital, tudo se re-cria?":
Ver também:

(**) Informações sobre a música de João Brasil (vídeo/YouTube):
WWW.MYSPACE.COM/JOAOBRASIL : "Meu baile-funk" homenagem a Caetano Veloso, seu livro "Verdade Tropical" e todo o movimento tropicalista.
Músicas usadas - Samples list:
Tropicália - Caetano Veloso
Zanzibar - Edu Lobo
Nega do cabelo duro - Luiz Caldas
Swing da cor - Daniela Mercury
Por trás de brás pina - Guinga
Não se acabou - João Donato
Biotech is Godzilla - Ratos de Porão
Panis et circenses - Mutantes
Bocochê - Viniciu de Moraes e Baden Powell
Dançando Calypso - Calypso

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Sobre o diploma de jornalismo: "E o diploma virou notícia..."




[ É... eu disse - e dizer isso já está ficando repetitivo - que pretendia publicar, em especial, meus velhos textos - sobretudo os ligados à minha prática como educadora artística no ensino público fundamental - mas também sobre alguns outros assuntos... - os de filosofia nem digo, pois posso enviá-los - aliás é o que faço, mas nem sempre são aceitos... - para revistas acadêmicas ou "especializadas" no assunto (bobagem, eu sei, pois posso enviá-los para ou escrevê-los em qualquer canto). Mas... vejo que este blog virou mesmo bagunça!!! Estou postando muito mais o que me dá na telha - algo já também previsto na descrição de meu perfil - embora como "exceção" e não como "regra"! - do que o pretendido inicialmente! Enfim... Gostei deste texto (que não é de minha autoria, os créditos estão aí embaixo...). Ele já estava em meus rascunhos anteriores do blog, mas eu passei pra data de hoje: chega da loucura de textos entrando um dia com a data de milênios atrás! Cabe dizer ainda, que não é porque gostei do assunto do texto - e de um outro que vou postar em seguida - que algum dia pretendi, sonhei, quis - ou sei lá o quê - ser jornalista ou coisa equivalente! Também nunca pretendi ser blogueira "profissional"! Fiz este blog porque era minha primeira pretensão assim ingressei na net... - algo como os primeiros blogs... "diários virtuais"... ou qualquer coisa do tipo... As pessoas me mostravam seus blogs e sites e eu ficava sonhando montar o meu... Mas... sei lá por quê - creio que tenha sido pela minha habitual preguiça - montei primeiro um perfil numa rede social (então muito em moda aqui no Brasil: Orkut) e fui ficando por lá... Montei perfis, apaguei perfis, ressuscitei perfis... etc. Um dia, senti vontade de - finalmente! - montar o blog!!! Não ficou bem como eu pensava, sonhava, queria, pretendia etc. Sem contar que estou no atraso... Dizem que os blogs estão perdendo terreno para as redes sociais, sobretudo do tipo microblogs (2)! Ninguém tem mais paciência de escrever e ler muito... Mas, enfim... tudo a seu tempo... comigo... sempre num tempo descompassado... ;) ]


E O DIPLOMA VIROU NOTÍCIA...



Publicado em "OLHAR VIRTUAL - UFRJ - DE OLHO NA MÍDIA" na edição nº. 256, em 01 de julho de 2009 [esta cópia foi retirada da edição n. 282 de 05/01/2010 (1)]


POR: Isabela Pimentel

A votação histórica do dia 17 de junho colocou o jornalismo na própria pauta dos principais veículos de comunicação do país: a decisão dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) fez com que o diploma para o exercício da profissão de jornalista não seja mais obrigatório. O decreto-lei nº 972/69, que regulamentava a profissão, foi extinto, gerando debates acalorados entre estudantes, professores, profissionais da área e no interior da própria mídia, considerada como “quarto poder” e “formadora de opinião”.

O presidente e relator do STF, Gilmar Mendes, afirmou que exigir diploma para o exercício do jornalismo é ir contra a Constituição do país, que assegura liberdade de opinião e informação.

Mídia: tendenciosa ou imparcial?

Diversos jornais manifestaram sua posição sobre o tema, como O Globo, que na coluna “Opinião” do dia 19 de junho apresentou a revogação da Lei de Imprensa no mês de maio e a recente queda do diploma como remoção de “dois entulhos autoritários, para o bem de todos, menos, no caso do diploma, de algumas corporações sindicais”. O mesmo editorial afirma que o fim da obrigatoriedade possibilitará ampliação da diversidade, ao permitir que profissionais com outras formações convivam ao lado dos jornalistas, já que “há lugar para todos nas redações”.

Além disso, em comunicado oficial, divulgado no dia 18 de junho, o vice-presidente das organizações Globo, João Roberto Marinho, afirmou que o fim do diploma "apenas ratifica uma prática da organização" e que a decisão é bem-vinda ao atestar uma situação já vivida nos principais órgãos de comunicação, que antes mesmo da revogação já apresentavam, em seus quadros, equipes compostas por especialistas de outras áreas, “com talento reconhecido, mas que não se formaram na profissão”.

Para o presidente da Fundação Biblioteca Nacional e professor da Escola de Comunicação da UFRJ, Muniz Sodré, poucos nomes dos grandes veículos se manifestaram contra o fim do diploma, citando como exemplo Zuenir Ventura. Sodré afirma que os conglomerados da informação são favoráveis ao fim da obrigatoriedade do diploma e estão fazendo uma cobertura bastante parcial, ao divulgar apenas notícias, opiniões e editoriais convenientes a seus interesses.

Por outro lado, há aqueles que negam a cobertura tendenciosa, alegando que houve pouca discussão sobre o assunto, como Maurício Lissovsky, professor da Escola de Comunicação. “A mídia também comprou o discurso que confundia o fim da obrigatoriedade do diploma com uma virtual extinção do curso de jornalismo (que nunca esteve em questão). Por isso, perdeu-se a oportunidade de aprofundar uma discussão em torno da reforma universitária e do tipo de formação profissional e acadêmica que devemos ter no país”, afirma.

Histórico

Em outubro de 2001, o Ministério Público Federal entrou com ação favorável à extinção do diploma de jornalismo para o exercício da profissão, e em seguida uma liminar consolidou a proposta. Quatro anos depois, a Federação Nacional dos Jornalistas e a União se opuseram à decisão e, no mês de outubro, a 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região declarou que o diploma era necessário. Em novembro de 2006, o STF garantiu a validade da atividade jornalística dos profissionais que já atuavam na profissão, sem registro no Ministério do Trabalho e diploma de graduação na área.

Em 30 de abril deste ano, os ministros do STF votaram pela derrubada da Lei de Imprensa, editada em 1967, durante o regime militar, alegando que ela era incompatível com a democracia e com a atual Constituição Federal. Para Lissovsky, o fim da exigência do diploma corresponde a um impulso à reforma universitária, com a possibilidade de criação de graduações em dois ciclos, deixando a formação jornalística como uma especialização do segundo ciclo, que poderá ser cursado por alunos de outras áreas do conhecimento. “Tenho esperança de que a desregulamentação da maioria das profissões seja um grande impulso à reforma universitária porque acredito que a criação de cursos estanques (como dominantemente existem no Brasil) tenha sido fruto dessas regulamentações e dos ‘direitos’ que criaram”, declara.

Emenda defende diploma

O senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) apresentou uma proposta de emenda à Constituição (PEC) em prol da exigência do diploma de curso superior de comunicação social para o exercício da profissão de jornalista. Para que haja validação, a emenda precisa passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e ser aprovada por três quintos dos senadores em dois turnos, o que equivale a 49 dos 81 votos.

Além disso, entidades como a Fenaj e sindicatos de jornalistas de estados como Rio de Janeiro e São Paulo se opuseram à decisão do STF, defendendo claramente a validade do diploma para o exercício da profissão, alegando que a não-obrigatoriedade atende ao interesse dos grandes conglomerados de comunicação e dos patrões.

Para tais segmentos, a formação superior é fundamental para o exercício da profissão e para a defesa dos interesses dos direitos dos jornalistas como categoria. A desregulamentação seria uma ameaça a direitos como jornada de trabalho e acordo coletivo. A retirada do diploma ofereceria riscos à produção de informações com compromisso e qualidade.

Muniz Sodré considera a extinção do diploma uma vitória da lógica do mercado. “Com diploma, o jornalista tem estatuto clássico enquanto representante de opinião e dos interesses da sociedade; sem ele, haverá contratações com base na prestação de serviços. Desorganizar a profissão interessa aos grandes veículos. Significa retirar o estatuto profissional para melhor comandá-lo, é um rebaixamento na condição do jornalista”, argumenta.

NOTA

(1) Ver o link do Olhar Virtual/UFRJ em "Minha lista de blogs e sites".

(2) Li isso em vários lugares (p.ex., em alguns textos do site francês: http://owni.fr/ ), mas não sei mais precisar exatamente quais... Mas posso citar este que acabo de ler: "Neurociência. Funcionamento do cérebro dos jovens está remodelado. Internet pode comprometer a capacidade de concentração", postado em 12/02/2010 no site: http://www.otempo.com.br/ "Uma outra pesquisa aponta que os jovens estão perdendo o interesse nos blogs e se voltando cada vez mais para formas mais curtas de comunicação. Segundo o estudo feito pelo Pew Research Center, o número de jovens internautas entre 12 e 17 anos que escrevem em blogs caiu de 28% para 14% desde 2006. Os adolescentes têm preferido postar em sites de redes sociais ou microblogs, como o Facebook e o Twitter." A pesquisa fala de adolescentes e jovens, mas tudo indica ser esta uma (nova) tendência geral...

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

AS COTAS RACIAIS SEGUNDO A MÍDIA...


[ De início, não havia pensado em postar aqui textos de outras autorias, mas, no Dia da Consciência Negra, creio que esta reportagem do Informe (on-line) Olhar Virtual, da UFRJ (Bolhetim 272 de 20/10/2009), que fala sobre a posição da mídia em relação às cotas, pode ser bem interessante para refletirmos... Imaculada Conceição ]

AS COTAS RACIAIS SEGUNDO A MÍDIA

Thor Weglinski


A sociedade brasileira ainda guarda uma herança da escravatura. Essa é a opinião do professor Muniz Sodré, da Escola de Comunicação (ECO) da UFRJ, que participou na última quinta, dia 15, do seminário “O Papel da Mídia no Debate sobre Igualdade Racial” na Associação Brasileira de Imprensa (ABI). A palestra teve o propósito de debater o papel dos veículos de comunicação nas questões relativas a desigualdades raciais e a atuação da mídia numa sociedade democrática, seus limites e responsabilidades. Além de Sodré, estavam presentes Miriam Leitão, colunista de economia do Jornal O Globo e Rosângela Malaquias, integrante do Centro de Estudo das Relações de Trabalho e Desigualdade (CEERT).
Segundo Sodré, existem rótulos para os negros na população, que também estão presentes na mídia. Exemplos são os papéis desempenhados por atores negros em telenovelas, na maior parte das vezes como empregadas domésticas ou motoristas, além de serem sempre objetos de ciência nas pesquisas e trabalhos de antropólogos e sociólogos, porque ainda são estereotipados como “mudos”. Para o professor, a grande arma a favor do combate à descriminação racial é a aproximação, ou seja, quebrar as barreiras impostas aos negros e aproximá-los de locais antes quase não frequentados por eles, como, por exemplo, universidades, grandes empresas e mídia.
Perguntado sobre o papel da mídia nas ações afirmativas para igualdade racial no Brasil, Sodré afirmou que os meios de comunicação constroem e impõem as realidades. Logo, são de suma importância para ações afirmativas contra a desigualdade. Por isso, é necessário dar voz a pequenas dissidências favoráveis à mobilização social dos negros, como a revista Raça.
A respeito das cotas, Sodré considera que a mídia se manifesta de forma quase sempre desfavorável. Segundo pesquisa de Rosângela Malaquias, do CEERT, a maioria das grandes empresas de comunicação no Brasil é contra a medida. Os jornais Folha de São Paulo e Estadão e a revista Veja, três dos maiores veículos comunicativos do país, comentam o assunto, mas suas reportagens são 100% contrárias, argumentando que a ação fracassou em outros países, e que a solução para a desigualdade não está no ensino superior, mas sim no ensino básico de qualidade para todos. O O Globo é a exceção, porque exibe mais matérias sobre o tema e tem um percentual mais equilibrado nas tendências das opiniões: 56,5% contrárias e 40% a favor. Os veículos contrários às cotas nunca abordam o ponto de vista de fontes favoráveis, como o arquiteto Oscar Niemeyer, o cineasta Nelson Pereira dos Santos e os atores Lázaro Ramos e Wagner Moura. Para o professor, a lei de cotas é positiva porque melhoraria as condições sociais dos negros, além de aproximá-los das universidades frequentadas, em sua maioria, pelos brancos.
Miriam Leitão, do jornal O Globo, afirmou no debate que a classe média brasileira tomou um susto quando a lei das cotas entrou em discussão, pois achou que a ação iria dificultar a entrada dos seus filhos nas universidades. Os jornais então refletiram esse pânico em suas matérias, totalmente desfavoráveis à medida. A jornalista se disse favorável às cotas, pois acredita que são uma ação contra a desigualdade social.
A exclusão dos negros e pardos dos meios de comunicação brasileiros ganhou foco no debate. Dificilmente se encontram pessoas que não sejam brancas em capas de revistas, protagonizando novelas ou na apresentação de programas televisivos. A TV Record, pertencente à Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), exibe em seu programa Fala que Eu Te Escuto, pequenas montagens condenando as religiões de origem africana, relacionando-as com o demônio e mostrando que a salvação está na IURD. A sociedade brasileira é desigual e a mídia é o seu reflexo. Na atualidade, a novela da Rede Globo Viver a Vida tem uma protagonista negra, a atriz Taís Araújo, e a revista Cláudia começou uma campanha para diversificar suas capas e abordagens, incluindo o público negro na pauta, fatos que simbolizam pequenos passos num longo caminho para a igualdade racial nos veículos de comunicação.
Ao final do debate, foi opinião predominante entre os presentes que a mídia conseguirá atuar em favor de ações por igualdade racial quando houver a democratização dos meios de comunicação, hoje monopolizados por empresas favoráveis à permanência da desigualdade.