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terça-feira, 29 de julho de 2014

O PENSAMENTO FILOSÓFICO NA ARTE EDUCAÇÃO


Antonio Bokel

[Escrevi este texto há algum tempo... ainda atual...]

A APLICABILIDADE DO PENSAMENTO FILOSÓFICO NA ARTE EDUCAÇÃO


“Não se deve ensinar pensamentos, mas a pensar; não se deve carregar o aluno, mas guiá-lo se quer que ele seja apto no futuro a caminhar por si próprio. [...] Ampliar a aptidão intelectual dos jovens que nos foram confiados e formá-los para um discernimento próprio [...] Semelhante procedimento tem a vantagem de que o aprendiz, mesmo que jamais chegue ao último grau, como em geral acontece, terá sempre ganho alguma coisa com o ensino e se terá tornado mais atinado, senão perante a escola, pelo menos perante a vida."
Immanuel Kant(1)

Imaculada Conceição


É difícil falar a propósito da necessidade do estudo filosófico no âmbito da prática da arte educação sem tocar neste ponto essencial: de que essa necessidade não difere em nada da que podemos exigir para todas as ordens da realidade humana. Qualquer que seja a área de estudo, pesquisa ou ação, o pensamento filosófico e reflexivo é de suma importância.

A origem da filosofia confunde-se com a origem das primeiras indagações humanas (primeiras, porque essenciais) em suas tentativas de compreender o mundo, a realidade e, sobretudo, buscar um sentido para a própria existência.

O “papel” da filosofia (se formos procurar por uma “utilidade”: sempre tão exigida!) é o de contribuir através do exercício do pensamento, da reflexão e da crítica para que nos tornemos mais conscientes, não apenas de nosso próprio ser (i.e., nossa singularidade enquanto indivíduos, únicos e insubstituíveis), mas também de nosso fazer e de nossa inserção no mundo (o espaço sócio-histórico-cultural-etc. do qual fazemos parte), portanto, como sujeitos históricos, sociais e políticos que somos. Mas é especialmente na consciência de sermos integrantes de uma mesma comunidade: a comunidade humana (pessoas que têm direitos, mas também deveres, sobretudo éticos; pessoas que diferem em suas contextualidades e se assemelham por nossa humana origem comum), que o pensamento filosófico participa mais ativamente. Mas e quanto à educação em arte?

Poesia visual de Alex Hamburg

Poucos devem duvidar da importância do pensamento reflexivo nas várias áreas do conhecimento humano. Mas talvez haja alguns que ainda questionem qual a real aplicabilidade do estudo filosófico numa área de natureza essencialmente prática, como é o caso da arte educação. É ter no entanto a vista curta ou não estar disposto a penetrar no coração mesmo do fazer artístico (seja este de natureza musical, teatral, literária, visual etc.).

Toda atividade artística exige um pensar específico (o pensamento visual, o pensamento espacial, o pensamento musical etc.) e uma inteligência própria que o viabilize. Ora, quem duvida que um músico não precise de uma atividade intelectual para criar e executar suas composições musicais? Ou que arquitetos não aliem inteligentemente visualidade espacial, beleza e cálculos matemáticos para o sucesso e viabilidade de seus projetos? Ou que um perfumista não faça plenamente uso de suas faculdades mentais para aliar conhecimentos de química com o prazer sensível de suas misturas aromáticas? Ou que um desenhista industrial não precise de uma inteligência matemática e de um atento senso comum para aliar prazer estético, praticidade e utilidade? O fazer artístico depende de um pensamento reflexivo capaz de conectar elementos diversos pertencentes às nossas múltiplas faculdades (capacidades), tais como o entendimento, a imaginação, a sensibilidade etc.(2)

Certo, nossos alunos não são - ao menos ainda e talvez nunca pensem mesmo em ser - artistas plásticos, músicos, paisagistas, dramaturgos, estilistas, escritores, cenógrafos, cineastas, fotógrafos, dançarinos etc. Aliás, não é objetivo da arte na escola fundamental formar artistas e/ou críticos de arte; mas oportunizar o exercício do fazer/pensar/julgar/experimentar arte (numa compreensão de suas contextualizações). O que eu quero sublinhar aqui é que o exercício do fazer artístico não difere muito do de um profissional para o de um “amador” (alguém que só faz por hobby ou pelo simples prazer de fazer gratuitamente), assim como não mais para o de nossos alunos.

Henry Matisse

O que difere a prática artística profissional da gratuidade singular (“desinteressada”) de todo fazer/pensar artístico (o “livre jogo das faculdades”) é a intenção (o “interesse”) - que se concretiza no final do processo. O processo em si (i.e., enquanto forma de pensamento) não difere muito. Nosso aluno, quando da construção de seu trabalho de arte, faz uso, tanto quanto o artista profissional, do “pensamento reflexivo” - que é a raiz do pensamento estético(3). O que difere é que ele não tem por pretensão, por exemplo, sua inserção no Mercado e/ou na História da Arte, sua pertença ao meio artístico etc. ( - isso que não elimina toda “intencionalidade”, mas marca uma diferença de perspectiva e de orientação final desta, que, no caso, estaria orientada especialmente para o processo de construção do trabalho – inclusive como produto final, porém indiferente ao que não seja o simples fazer/criar; em outras palavras: a interconexão do pensar-fazer). Em comum ainda, além do pensamento reflexivo, a capacidade de interagir e comunicar-se: elos de conexão do pensamento e sentimentos de quem cria e/ou aprecia e ajuíza com toda a comunidade humana.


Cena de "Animação Trash: Nossas Primeiras Experiências" realizada pelos alunos da E.M. Mario Piragibe na Oficina Itinerante de Animação(Núcleo de Arte Grande Otelo) (4)

Pensar e fazer ou fazer e pensar são duas faces de uma mesma inserção no mundo. Ambos estão de tal modo intimamente conectados que o simples imaginar uma prática sem pensamento ou um pensar sem uma prática não passa de fato de uma quimera (talvez, mesmo, inconcebível, inimaginável, impensável: pois ao conceber, imaginar ou pensar, já não estamos nós praticando um ato - mesmo que seja o ato íntimo de cogitar? - e este não pode, cedo ou tarde, vir a inserir-se no mundo e tornar-se realidade sob alguma forma?).

Pode-se pensar mal. Ou pode-se agir irrefletidamente (i.e., sem uma reflexão consciente das causas que originaram os nossos atos ou das conseqüências que eles terão). Pode-se negligenciar a conexão essencial entre o pensar e o agir; mas não se pode evitá-la (ao menos enquanto em pleno uso de nossas consciências). O mais simples fazer exige alguma forma de pensamento e uma inteligência específica que o acompanha. O mais elementar ato de pensamento exige uma ação que se executa no próprio ato de pensar; ou, em um nível mais elaborado, no construir-se como forma aplicada de pensamento (como obra, método, fala, informação, comunicação etc.), i.e., sua aplicação (realização) na ordem do real; ou, em uma etapa ainda mais completa (e complexa): na transformação da ordem do mundo e da vida.


Parangolé de Hélio Oiticica


NOTAS:
(1) KANT, I. Lógica (Apêndice: “Anotações do professor Immanuel Kant sobre a organização de suas preleções no inverno de 1765-1766”).
(2) e (3) KANT, I. Crítica da Faculdade do Juízo – a terceira Crítica kantiana, onde o filósofo aborda o pensamento estético.
(4) Assistam a primeira parte de "Animação Trash: Nossas Primeiras Experiências": http://nucleodeartegrandeotelo.blogspot.com/2009/10/as-animacoes-de-nossos-alunos-estao-na.html

domingo, 24 de abril de 2011

PRESENTE DE PÁSCOA! BOA PÁSCOA!



QUE FOFA ESTA ANIMAÇÃO! OFEREÇO A MEUS ALUNOS E A TODOS QUE AMAM UMA BIBLIOTECA! :)

LIBRARY from singsfish on Vimeo (1)



E ESTA FOFÍSSIMA ANIMAÇÃO OFEREÇO A MEUS QUERIDOS ALUNOS DE ARTES VISUAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL E A TODOS QUE AMAM AS ARTES! :)

SELF PORTBAIT from singsfish on Vimeo (2)



NOTA:

Site de onde tirei...

(1) http://vimeo.com/5178087

(2) http://vimeo.com/5488101


domingo, 30 de maio de 2010

PROPOSTA 2010: RIO DIVERSIDADE




RIO DIVERSIDADE

Texto: Jabim Nunes

PLURALIDADE
A pluralidade, característica marcante da cidade, não poderia estar melhor representada pelas múltiplas linguagens. E são estes braços sempre abertos a receber que torna o Rio um tema inesgotável.


Animação: RIODIVERSIDADE/2010 

OFICINA DE ANIMAÇÃO:  Profa. Imaculada Conceição(*)


PROPOSTA PARA 2010: RIO DIVERSIDADE

O Rio de Janeiro é a capital cultural do Brasil. Historicamente, nos seus quase 500 anos, onde abrigou a família Imperial logo após a chegada de Portugal, na cultura e na arquitetura a cidade recebeu influência portuguesa, inglesa, francesa em períodos que continuam adornando principalmente o centro da cidade. É o lugar por onde acontecem as principais manifestações culturais que o pais exporta. E a porta de entrada obrigatória das grandes mostras internacionais de artes plásticas, cinema, moda, de grandes nomes da música clássica e também do mais moderno rock, dança e ópera. Sua arquitetura guarda ícones dos séculos XVl, XVll, XVlll, XlX e, agora do século passado.

Hoje, contrastam com lâminas modernas de prédios inteligentes, retratos da modernidade da metrópole que sabe preservar seu passado. Na Lapa, bairro boêmio vizinho ao Centro.



No campo da Música o Rio é o berço do samba. Na zona sul, à beira mar, a cidade preserva alguns dos locais onde nomes como Tom Jobim e João Gilberto afinaram os primeiros acordes da Bossa Nova. Por suas características generosas, foi no Rio que se estabeleceram os maiores nomes da música brasileira, fossem baianos ou mineiros, atraídos pelos números de casas com música ao vivo, seja para ouvir, seja para dançar.




A natureza também tem peso cultural. Basta visitar o Jardim Botânico com uma das mais importantes coleções de plantas do mundo ou a floresta da Tijuca, o coração verde da cidade maravilhosa.



O Cristo Redentor
Localizado no topo de uma montanha, a 710 metros de altura,
a estátua do Cristo Redentor, no Corcovado, é, com certeza, um dos monumentos mais admirados e visitados da cidade.




Jardim Botânico
Cada um dos 141 hectáreas do Jardim Botânico do Rio de Janeiro abriga alguns dos principais exemplares da flora brasileira e mundial.
Árvores seculares misturam-se a orquídeas, vitórias-régias, bromélias, flamboyants e uma vasta folhagem tropical, que fazem do Jardim Botânico o lugar preferido dos estudiosos, dos amantes da natureza, dos namorados e de todos aqueles que procuram tranqüilidade e paz.



Os Arcos da Carioca
Entraram para a história como a obra mais monumental empreendida no Rio nos tempos coloniais. Localizados no Largo da Lapa, bairro que já serviu de referência para o que de mais importante aconteceu na vida noturna do Rio.
Com a intenção de resgatar o orgulho e a auto-estima do carioca pela sua paisagem urbana que mistura a arquitetura com as belezas naturais sem deixar de fora os aspectos culturais. Visaremos desta forma, registrar e expressar nossa homenagem e amor pelo Rio.



Com o tema RIO DIVERSIDADE, cada professor tem total liberdade para trabalhar o conteúdo proposto e no final mostrar, através de exposição, seja de pintura, desenho, animação, vídeo curta metragem, música, dança etc., tendo, claro, os alunos como principais protagonistas.








NOTA: Veja ainda como ficou nossa  Mostra Rio Diversidade:  http://nucleodeartegrandeotelo.blogspot.com.br/2010/12/riodiversidade-seja-bem-vindo.html

Texto: Prof. Jabim Nunes

Fotos: Profa. Imaculada Conceição (trabalhos das Oficinas de Animação, Pintura, Desenho)


(*)Vídeo: O tema "Rio Diversidade" foi o fio condutor de todas as oficinas do Núcleo de Arte Grande Otelo em 2010. O vídeo traz diversos trabalhos realizados durante o ano na Oficina de "Animação Trash", ministrada pela professora Imaculada Conceição Manhães Marins. Há desde pequenas animações completas (como as "autorais", assinadas pelo aluno Julio), até fragmentos (cenas) de outras animações realizadas pelo grupo durante a oficina, passando por experiências livres com o uso de objetos "encontrados" no Núcleo de Arte e/ou obras realizadas nas demais oficinas.


Postado por Imaculada Conceição M. Marins

terça-feira, 20 de outubro de 2009

A APLICABILIDADE DO PENSAMENTO FILOSÓFICO NA EDUCAÇÃO ARTÍSTICA

texto originalmente escrito em 2001 e modificado em 2007(1)


Não se deve ensinar pensamentos, mas a pensar; não se deve carregar o aluno,

mas guiá-lo se quer que ele seja apto no futuro a caminhar por si próprio.

[...] Ampliar a aptidão intelectual dos jovens que nos foram confiados e formá-los para um discernimento próprio [...]
Semelhante procedimento tem a vantagem de que o aprendiz, mesmo que jamais chegue ao último grau,

como em geral acontece, terá sempre ganho alguma coisa com o ensino e se terá tornado mais atinado,

senão perante a escola, pelo menos perante a vida.”

Immanuel Kant (2)







Imaculada Conceição

É difícil falar a propósito da necessidade do estudo filosófico no âmbito da prática da educação artística sem tocar neste ponto essencial: de que essa necessidade não difere em nada da que podemos exigir para todas as ordens da realidade humana.
Qualquer que seja a área de estudo, pesquisa ou ação, o pensamento filosófico e reflexivo é de suma importância. A origem da filosofia confunde-se com a origem das primeiras indagações humanas (primeiras, porque essenciais) em suas tentativas de compreender o mundo, a realidade e, sobretudo, buscar um sentido para a própria existência. O “papel” da filosofia (se formos procurar por uma “utilidade”: sempre tão exigida!) é o de contribuir através do exercício do pensamento, da reflexão e da crítica para que nos tornemos mais conscientes, não apenas de nosso próprio ser (i.e., nossa singularidade enquanto indivíduos, únicos e insubstituíveis), mas também de nosso fazer e de nossa inserção no mundo (o espaço sócio-histórico-cultural-etc. do qual fazemos parte), portanto, como sujeitos históricos, sociais e políticos que somos. Mas é especialmente na consciência de sermos integrantes de uma mesma comunidade: a comunidade humana (pessoas que têm direitos, mas também deveres, sobretudo éticos; pessoas que diferem em suas contextualidades e se assemelham por nossa humana origem comum), que o pensamento filosófico participa mais ativamente. Mas e quanto à educação em arte?

Poucos devem duvidar da importância do pensamento reflexivo nas várias áreas do conhecimento humano. Mas talvez haja alguns que ainda questionem qual a real aplicabilidade do estudo filosófico numa área de natureza essencialmente prática, como é o caso da educação artística. É ter no entanto a vista curta ou não estar disposto a penetrar no coração mesmo do fazer artístico (seja este de natureza musical, teatral, literária, visual etc.). Toda atividade artística exige um pensar específico (o pensamento visual, o pensamento espacial, o pensamento musical etc.) e uma inteligência própria que o viabilize. Ora, quem duvida que um músico não precise de uma atividade intelectual para criar e executar suas composições musicais? Ou que arquitetos não aliem inteligentemente visualidade espacial, beleza e cálculos matemáticos para o sucesso e viabilidade de seus projetos? Ou que um perfumista não faça plenamente uso de suas faculdades mentais para aliar conhecimentos de química com o prazer sensível de suas misturas aromáticas? Ou que um desenhista industrial não precise de uma inteligência matemática e de um atento senso comum para aliar prazer estético, praticidade e utilidade? O fazer artístico depende de um pensamento reflexivo capaz de conectar elementos diversos pertencentes às nossas múltiplas faculdades (capacidades), tais como o entendimento, a imaginação, a sensibilidade, etc.(3)

Certo, nossos alunos não são - ao menos ainda e talvez nunca pensem mesmo em ser - artistas plásticos, músicos, paisagistas, dramaturgos, estilistas, escritores, cenógrafos, cineastas, fotógrafos, dançarinos etc. Aliás, não é objetivo da arte na escola fundamental formar artistas e/ou críticos de arte; mas oportunizar o exercício do fazer/pensar/julgar/experimentar arte (numa compreensão de suas contextualizações). O que eu quero sublinhar aqui é que o exercício do fazer artístico não difere muito do de um profissional para o de um “amador” (alguém que só faz por hobby ou pelo simples prazer de fazer gratuitamente), assim como não mais para o de nossos alunos. O que difere a prática artística profissional da gratuidade singular (“desinteressada”) de todo fazer/pensar artístico (o “livre jogo das faculdades”) é a intenção (o “interesse”) - que se concretiza no final do processo. O processo em si (i.e., enquanto forma de pensamento) não difere muito. Nosso aluno, quando da construção de seu trabalho de arte, faz uso, tanto quanto o artista profissional, do “pensamento reflexivo” - que é a raiz do pensamento estético.(4) O que difere é que ele não tem por pretensão, por exemplo, sua inserção no Mercado e/ou na História da Arte, sua pertença ao meio artístico etc. ( - isso que não elimina toda “intencionalidade”, mas marca uma diferença de perspectiva e de orientação final desta, que, no caso, estaria orientada especialmente para o processo de construção do trabalho – inclusive como produto final, porém indiferente ao que não seja o simples fazer/criar; em outras palavras: a inter-conexão do pensar-fazer). Em comum ainda, além do pensamento reflexivo, a capacidade de interagir e comunicar-se: elos de conexão do pensamento e sentimentos de quem cria e/ou aprecia e ajuíza com toda a comunidade humana.

Pensar e fazer ou fazer e pensar são duas faces de uma mesma inserção no mundo. Ambos estão de tal modo intimamente conectados que o simples imaginar uma prática sem pensamento ou um pensar sem uma prática não passa de fato de uma quimera (talvez, mesmo, inconcebível, inimaginável, impensável: pois ao conceber, imaginar ou pensar, já não estamos nós praticando um ato - mesmo que seja o ato íntimo de cogitar? - e este não pode, cedo ou tarde, vir a inserir-se no mundo e tornar-se realidade sob alguma forma?). Pode-se pensar mal. Ou pode-se agir irrefletidamente (i.e., sem uma reflexão consciente das causas que originaram os nossos atos ou das conseqüências que eles terão). Pode-se negligenciar a conexão essencial entre o pensar e o agir; mas não se pode evitá-la (ao menos enquanto em pleno uso de nossas consciências). O mais simples fazer exige alguma forma de pensamento e uma inteligência específica que o acompanha. O mais elementar ato de pensamento exige uma ação que se executa no próprio ato de pensar; ou, em um nível mais elaborado, no construir-se como forma aplicada de pensamento (como obra, método, fala, informação, comunicação etc.), i.e., sua aplicação (realização) na ordem do real; ou, em uma etapa ainda mais completa (e complexa): na transformação da ordem do mundo e da vida.

(1) Originalmente parte do relatório apresentado à SME-RJ (2001) por ocasião de meu retorno à sala de aula após a primeira etapa do doutorado em filosofia - modificado em 2007 quando o enviei para a Revista Nós da Escola da MultiRio (a revista saiu de circulação e o artigo nunca foi publicado...)

(2) KANT, I. Lógica (Apêndice: “Anotações do professor Immanuel Kant sobre a organização de suas preleções no inverno de 1765-1766”).

(3) e (4) KANT, I. Crítica da Faculdade do Juízo – a terceira Crítica kantiana, onde o filósofo aborda o pensamento estético.