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domingo, 22 de novembro de 2009

...algo que eu quero (agora) escrever...



Imaculada Conceição


Tenho o que Nietzsche definiu ser um “espírito grosseiro”! Em tudo e em todas as coisas vejo antes o “universal”, o que compartilhamos, o que temos “em comum”, a similaridade etc., do que a “diferença”, o que nos distingue, o que nos diferencia, portanto, o que nos “separa”. Não que eu não seja capaz (creio...) de ver ou de admirar a “diferença” e a “multiplicidade” (conceitos caros a Nietzsche, tanto quanto aos pensadores pós-modernos e outros viés daqueles que pensam nossa contemporaneidade), mas meu espírito vai logo procurando (e achando) algo que me faz, que nos faz “irmãos do sol e da lua” (como diria São Francisco de Assis). É assim que eu não encontro muita diferença entre “conversar” ou “corresponder-me” em um mundo que se convencionou chamar “virtual” (o da internet, p.ex.) e o mundo real (chamado presencial)! Afinal, que diferença (“essencial”!) há entre o hábito de manter correspondências, que as pessoas trocaram durante séculos e séculos, pelos mais diversos meios, e, agora, os trocados pelos e-mails, pelos recados nos sites de relacionamentos (Orkut, Twitter, MSN, Myspace, Facebook etc.) etc.? Assim como no habito de muitas vezes se preservar (“salvar”) tais correspondências em pastas, “doc.”, sítios on-line etc., como antes estas correspondências eram guardadas em gavetas, baús etc.? Sim, há diferenças (nos “meios” empregados), mas a essência desta elementar necessidade íntima dos humanos de se corresponderem, se comunicarem, trocarem afetos, experiências, informações etc. ainda permanece “a mesma”, não? Espanta-me quando alguém diz “esqueça isso aqui, vá procurar seus amigos reais!”! Como se conversássemos com máquinas, programas de computadores ou com os personagens meramente ficcionais de jogos virtuais on-line, e não com gente (de verdade, de carne, osso e sangue, com um corpo, sonhos, dores, alegrias, tristezas, contradições, dúvidas etc.) do “outro lado”... ...do outro lado... ...do outro lado...

[...infelizmente não são todos os humanos que têm acesso a esta possibilidade de nosso mundo contemporâneo de trocas, de intercâmbio, de comunhão...] ...do outro lado...

Talvez seja meu espírito por demais “grosseiro” mesmo, pois não me deixa ver grandes diferenças e me faz insistir em chamar este mundo AQUI também de real! Sei que não sou a única... mas sei também que ainda causa um certo estranhamento em muita gente o fato deste mundo de mediações internautas - que chegou a ser definido de “virtual” - ser apenas mais uma face de nosso mundo real!